Think out / Considere cuidadosamente

 

"For Elohim so loved the world, that He gave His only begotten Son, that whosoever believeth in Him should not perish, but have everlasting life" "Porque Elohim amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (John 3:16). "For I am not ashamed of the gospel of Messiah: for it is the power of Elohim unto salvation to every one that believeth; to the Jew first, and also to the Greek" ; "Porque não me envergonho do evangelho do Messias, pois é o poder de Elohim para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego".(Romans 1:16). "But Elohim commendeth His love toward us, in that, while we were yet sinners, Messiah died for us" ; "Mas Elohim prova o seu amor para conosco, em que o Messias morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." (Romans 5:8). "That if thou shalt confess with thy mouth the Adon Yeshua, and shalt believe in thine heart that Elohim hath raised Him from the dead, thou shalt be saved. For with the heart man believeth unto righteousness; and with the mouth confession is made unto salvation. For the scripture saith, Whosoever believeth on him shall not be ashamed. For there is no difference between the Jew and the Greek: for the same ADONAI over all is rich unto all that call upon him. For whosoever shall call upon the name of the ADONAI shall be saved. " ; "A saber: Se com a tua boca confessares a ADON Yeshua, e em teu coração creres que Elohim o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o ADONAI de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome de ADONAI será salvo." (Romans 10:9-13). "...Elohim hath given to us eternal life, and this life is in his Son." ; "E o testemunho é este: que Elohim nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho".(I John 5:11). "He that hath the Son hath life; and he that hath not the Son of Elohim hath not life." ; "Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Elohim não tem a vida". (I John 5:12). For the wages of sin is death; but the gift of Elohim is eternal life through Yeshua HaMashiach Adoneinu" ; "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Yeshua HaMashiach nosso Senhor".(Romans 6:23).

A SOBREVIVENTE

A SOBREVIVENTE por Rose Price

Eu sou uma sobrevivente do holocausto de Hitler. Minha família, que vivia numa pequena cidade na Polônia, era calorosa e muito unida. Cada um de nós se preocupava com os demais membros da família. Meus parentes moravam todos bem próximos uns dos outros, a ponto de poderem se visitar indo a pé. Assim, se chovesse a gente podia abrigar-se na casa mais próxima; era a casa de um primo ou de uma tia ou de um tio.

Criaram-me de uma maneira muito ortodoxa. Mamãe incutiu em mim que o judaísmo era vida. Nunca soube distinguir entre um dia festivo de maior importância de um de menor importância. Um dia festivo era um dia festivo. Até mesmo todo Shabat (sábado) era celebrado por nós como um dia festivo.

Mamãe e minha avó já começavam a se preparar para o Shabbat na quarta-feira, cozendo o challa (pão). Na sexta-feira preparavam o peixe e a canja de galinha e faziam macarronada. À tarde levávamos um cholent – um prato completo de carnes, vegetais e batatas – ao padeiro para que fosse assado.

Sempre tomávamos banhos caprichados e nos vestíamos com nossas melhores roupas. A mesa era sempre feita com uma bela toalha de linho e com toda a prataria que tínhamos.

A hora da refeição era uma hora da família. Nas sextas-feiras à noite servíamo-nos de peixe. Papai sempre vinha da sinagoga e recitava o Kadish, e a bênção sobre o vinho e a chalá, e então abençoava os filhos.

Sábado pela manhã íamos à sinagoga. Depois dos serviços religiosos dávamos uma parada na padaria para pegar o cholent e levá-lo para casa. Sentávamo-nos todos em volta da mesa de vovó e saboreávamos a nossa refeição do Shabat.

O Horror Nazista

Quando Hitler assumiu o poder, as mudanças vieram rapidamente. Os alemães invadiram a Polônia em setembro de 1939. Um dia, na escola, logo depois da invasão, todos os estudantes judeus foram chamados à frente da classe. Havia um guarda que se postava nas proximidades, e o nosso professor nos disse:

Não venham mais à escola porque vocês são judeus.

Eu tinha a idade de dez anos e meio. Ficamos totalmente arrasados.

O passo seguinte dado pelos alemães foi desalojar-nos de nossa casa e forçar-nos a viver num gueto.

Pegaram todos os judeus da cidade e os puseram em uma só rua.

Minha irmã, que é dois anos mais velha, e eu, fomos as primeiras a serem mandadas embora. Estávamos a caminho de uma visita a nossa avó quando os alemães nos agarraram e nos puseram para trabalhar numa fábrica de munições.

Foi um horror, porque tínhamos deixado um lar tão caloroso para ir a um ambiente totalmente frio; de um lar cheio de amor, onde nos abraçávamos e nos beijávamos com muito carinho, estávamos agora num lugar em que havia um homem constantemente açoitando-nos com um chicote. Por algum tempo deixavam-nos ir à noite até nossos pais. Mas num dia, em vez de nos liberarem para irmos para casa, fizeram-nos marchar no campo. Naquele verão eu havia estado no campo em busca de cogumelos, de frutas silvestres e de framboesas. Agora eu me achava confinada numa prisão campal naqueles mesmos campos.

Não dá para acreditar no que eles fizeram conosco. É quase indescritível. Pela manhã acordavam-nos quando ainda estava escuro. Tínhamos que ir para fora, qualquer que fosse a condição do tempo, e alinhar-nos em grupos de cinco para que nos contassem.

Trabalhávamos o dia inteiro na fábrica. Eu operava uma máquina que alongava uma peça de alumínio de um quarto de polegada até o comprimento de uma bala de rifle. Eu tinha que lubrificá-la, alimentá-la, e recolher as peças moldadas.

Antes da invasão, minhas maiores responsabilidades eram ir à escola, estudar, voltar para casa, ajudar minha mãe com os serviços da casa, ajudar na jardinagem, e cuidar um pouco da minha irmã menor. Agora me diziam que eu tinha que aprender a operar aquela máquina, ou morreria. E tinha que aprender depressa.

Chorei por certo tempo, até que um dia não consegui mais chorar, porque não tinha mais lágrimas. Isso aconteceu depois que a cidade foi evacuada, quando senti que nunca mais veria meus pais nem minha família. Aquele tinha sido o último dia em que chorei, por 25 anos.

A princípio ainda orava. Levantava-me de manhã e recitava o Modeh Ani e durante o dia repetia o Shemá e orava a Deus. Um dia orei para que Deus me enviasse minha mãe, porque estava com fome e com muita saudade do meu lar. Eu precisava do abraço da minha mãe, em vez dos açoites. Queria tomar um banho, porque estava toda suja, e não tínhamos sabonete. Eu orei, mas nada aconteceu. Por não ter obtido respostas às minhas orações, concluí que Deus não existe.

Os Campos de Concentração

Fui transferida de um campo de concentração para um outro, até que fui enviada a Bergen-Belsen e depois para Dachau. É difícil acreditar que vivi em tal horror. Coisas terríveis, terríveis demais, aconteceram em Bergen-Belsen. Éramos torturadas. Éramos postas no campo e forçadas a desenterrar beterrabas de um solo congelado, com nossas mãos nuas. Lembro-me de minhas mãos sangrando muito.

Tínhamos muitas experiências bastante difíceis no acampamento. Uma delas destaca-se por ter sido demasiadamente cruel. Eu estava trabalhando um dia desenterrando beterrabas e, àquela altura, eu estava totalmente acabada, porque havia vivido naquelas condições por vários anos. Decidi naquele dia roubar uma beterraba e comê-la. Tinha decidido que o meu estômago não iria doer naquela noite.

Tudo o que recebíamos era uma fatia bem fina de pão – era 80% feito de serragem – e um copo de café. Era todo o nosso alimento para 24 horas. Obviamente isso mal dava para manter a vida, quanto mais para sustentar alguém trabalhando numa temperatura extremamente fria.

Quando o guarda me pegou, levei uma punição tal que até hoje, quando falo sobre ela, ainda sinto aquele açoite de nove pontas em minhas costas, na minha cara, e por volta de todo o meu corpo, e ainda a punição de ficar suspensa por minhas mãos – tudo por ter roubado uma beterraba.

O tempo frio por si mesmo matou muitos de nós, porque não nos vestíamos adequadamente. Tínhamos que ficar alinhadas durante várias horas, não importando o frio que fazia e a profundidade que a neve havia alcançado, e isso seminuas e sem sapatos.

Certa vez, quando estávamos alinhadas, ficamos totalmente despidas para uma experiência, para ver quanto tempo levaria para o nosso sangue congelar. Até hoje, quando estou num dia gelado, e meus dedos do pé e da mão ficam duros de frio, lembro-me daquele dia em que o meu corpo começou a congelar. A única razão por que sobrevivi àquela experiência foi porque muitas outras caíram sobre mim e seus corpos me mantiveram aquecida.

Eu tinha me decidido sobreviver no mesmo dia em que disse que Deus não existia. Quando sobrevivi, dei a mim mesma todo o crédito por esse feito. Mais tarde me dei conta de que tinha sido pelo Senhor.

Mas em certos dias eu cheguei a pensar que não conseguiria sobreviver. Quando estávamos a caminho de Dachau, o nosso trem foi bombardeado. Ao correr para o campo, fugindo do trem, pensei comigo mesma: “É isso aí. Fiz muitas balas. Que eles as usem em mim”. A morte parecia-me melhor do que a vida.

Um dia, quando ainda estava num acampamento na minha cidade, estava atravessando o campo com alguém e sorri. Pela ofensa do sorriso, os alemães me puseram num tanque de esgoto por 24 horas. Eu tinha que ficar na ponta dos pés para não me afogar. Naquela época eu não tinha mais do que 12 anos de idade.

Um outro tempo difícil foi quando minha irmã, que estava no mesmo acampamento, pegou uma febre tifóide. Ela era a última pessoa viva da minha família e eu não podia pensar em sobreviver se a perdesse também. Os guardas vinham de vez em quando para verificar se havia alguém doente. As que estavam doentes eles as levavam para fora e as deixavam congelar. Deitei-me sobre minha irmã para protegê-la, e quando eles pediram para levantar as mãos para mostrar que estavam com saúde, eu levantei as minhas como se fossem dela.

Eu não conhecia o Senhor naquele tempo. Eu pensava que, se Deus existisse, eu estava sofrendo naquele campo de concentração porque ele é quem me havia posto lá. Mais tarde descobri que isso era uma mentira. Ele estava era me ajudando.

Escolhida para Ser Fuzilada

Por duas vezes fui escolhida para ser fuzilada. Nas duas vezes, quando os guardas soltaram as cadeias que me prendiam, fugi. Na segunda vez fui de encontro a um guarda. Corria tanto que saltei desviando-me dele. Mas ele não me viu. Isso só pode ter sido obra de Deus. Se ele me tivesse visto, ele mesmo teria me fuzilado. Olhei para ele, e então fugi para uma parte arborizada do acampamento.

Quando finalmente fui liberta em maio de 1945, eu estava cheia de ódio pelo que tinha passado. Eu odiava os alemães com muita intensidade. A falta de perdão literalmente envenenava o meu corpo, e fez com que eu tivesse que fazer 27 operações.

Eu procurava alguém que se dispusesse a lançar uma bomba na Alemanha e na Polônia. Eu tinha perdido toda a minha família, exceto minha irmã e uma tia – cerca de uma centena de parentes.

Minha Nova Vida

Depois de ter sido posta em liberdade, fui aos Estados Unidos, casei-me e tive filhos. Mesmo odiando a Deus, tornei-me ativa na sinagoga tradicional. Meus filhos tinham que aprender sobre o judaísmo, mas eu não podia ensinar-lhes, porque estava morta em meu interior.

Socialmente, eu era a melhor pessoa judia. Esforcei-me por contribuir para a construção da escola hebraica. Até mesmo fiz o que pude para tornar-me presidente da sociedade feminina.

Se então alguém me tivesse perguntado: “Você acredita em Deus?”, eu teria respondido: “Não!”.

(Ainda hoje muitos rabinos não acreditam na Bíblia e muitos poucos crêem em Deus).

Eu, porém, acreditava que devia manter a minha identidade judaica e a minha tradição.

Minha Filha Crê em Jesus

Um dia minha filha adolescente veio para mim e me disse a pior coisa que eu poderia imaginar. Ela disse:

Mamãe, eu acredito em Jesus Cristo; ele é o Messias judaico.

Por pouco tive um ataque cardíaco. Eu lhe disse o que Jesus Cristo fizera à sua família e por que ela não tinha muitas tias e primos. Os guardas nazistas me tinham dito por várias vezes que Jesus Cristo me odiava e que ele tinha me posto no campo de concentração para matar-me porque eu o tinha matado.

Quando eu tinha sete ou oito anos, fui ferida em minha cabeça com um crucifixo por um sacerdote pelo “crime” de andar na calçada em frente à sua igreja.

Assim, o fato de minha filha crer em Jesus Cristo era como a morte para mim. Eu a expulsei de casa. Não podia ter uma inimiga vivendo em minha casa. Quando meu marido foi à casa em que ela tinha ido morar, para ver como estava, ele tornou-se crente também. Aquela casa era usada como um ponto para alcançar os judeus.

Minha filha mais jovem ainda estava freqüentando uma escola hebraica particular. Mas de algum modo eu sabia que ela tinha secretamente se tornado uma crente messiânica, e a castiguei por isso, embora não me lembre de como foi que o fiz.

Depois de meu marido ter aceitado o Senhor, ele veio para casa e começou a ler Provérbios 30:4 para mim (“Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas na sua roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?”). Eu não sabia o que Provérbios 30:4 queria dizer, mas quando ele me contou que ele também tinha se tornado crente, para mim ele também era um traidor. O rabino nada pôde fazer com ele. Ele ficou muito inflexível.

Eu estava disposta a deixar a minha família, mas não podia. Um amigo meu, que era advogado, me disse:

Se você deixar a casa, as autoridades a prenderão por deserção diante de seus filhos menores.

Eu tinha perdido a minha primeira família com Hitler, e agora estava prestes a perder a minha segunda família, tudo por causa desse Jesus. A minha vontade era encontrar-me com esse Jesus e matá-lo.

Fiz tudo o que pude para alcançar minhas duas filhas. Pela primeira vez falei com elas sobre os campos de concentração. Eu supliquei a elas. Implorei a elas que rejeitassem esse inimigo dos judeus. Por dois mil anos temos sido perseguidos porque esse homem supostamente seria o Messias. Eu lhes disse tudo o que sabia, mas de nada adiantou.

Tendo o meu marido se tornado cristão, ele insistiu que minha filha voltasse para casa. Eles testemunhavam para mim constantemente. Eu sempre encontrava minha Bíblia judaica aberta e pedacinhos de papel com trechos das Escrituras sobre ela. Eu não sabia que eram versículos bíblicos, porque eu não conhecia a Bíblia.

Fui Falar com o Rabino

Corri até o rabino. Ele me forneceria diversas passagens das Escrituras para com elas eu desafiar a minha família. Em resposta, eles me deram cinco outras.

Diante da pressão da minha família, perguntei ao rabino sobre Isaías 53. Ele disse:

Nenhum judeu deve ler essa escritura, especialmente uma judia.

Dessa forma eu não podia lê-la. O mesmo com o Salmo 22. Há 328 profecias da vinda do Messias sofredor e servo. Perguntei ao rabino a respeito da maioria delas. Finalmente o rabino me disse para não ir nunca mais à sinagoga, porque eu lhe tinha lido Isaías 53.

Continuei a berrar, gritar e clamar ao rabino:

Ajude-me! Não é por aí que eu vou. O que o senhor quer de mim? A minha família está morta porque crêem em Jesus, como o senhor me diz, mas eles estão tendo uma vida normal. Se eles estão todos mortos, então por que é assim? Ajude-me!

Ele apenas respondia:

Não. Não posso ajudá-la mais.

Assim comecei a ir até o porão, sem que ninguém percebesse, para ler o Novo Testamento num quarto fechado. Li Mateus primeiro, e vi que Jesus era um homem amável. Ele não tinha matado nenhum judeu, pelo contrário, era um homem muito amável. Então comecei a pensar sobre o que eu acreditava.

Fui ter com um outro rabino para pedir ajuda, mas ele me disse:

Olha, não posso ajudá-la, porque não leio muito a Bíblia.

O Milionário

Logo depois desse encontro fui a um jantar na casa de Arthur DeMoss. O senhor DeMoss era um homem de negócios que era cristão e muito rico. Todo ano ele abria a sua casa para alcançar os judeus. Ele me perguntou se eu consentiria que ele orasse por mim. Eu lhe disse:

Para mim, não importa, desde que não lhe seja nenhum embaraço. O senhor está em sua casa...

Em vez de se sentir embaraçado, ele começou a orar. Os judeus nunca fecham os olhos numa oração, mas de repente eu fechei os olhos e fiz uma oração muito simples: “Deus de Abraão, de Isaque e Jacó, se for verdade, se este de quem falam é teu Filho, e se tu tens um Filho, e se ele é realmente o Messias, tudo bem. Mas, Pai, se ele não é, esqueça-se de que falei contigo”.

Esta foi a minha primeira oração desde 1942. Senti como se uma rocha enorme tivesse se desprendido de minhas costas. Pela primeira vez desde a guerra chorei e me senti assim muito limpa. Senti então que Jesus era real e fiz dele o meu Messias.

Quando sobreviventes do holocausto hoje em dia ficam bravos comigo por ter-me tornado uma judia messiânica, apenas lhes demonstro amor, porque sei como se sentem. Eu já passei por isso. Não discuto com eles.

Chamadas de Berlim

Um dia recebi um telefonema de Sid Roth. Um amigo seu, um pastor de uma grande igreja de Berlim, tinha acabado de ligar para ele, dizendo-lhe:

Vamos alugar o maior anfiteatro de Berlim, aquele que Hitler usou para suas reuniões, e estamos procurando judeus messiânicos para participarem desse evento que estamos planejando.

Conheço a pessoa certa para isso – disse ele.

E era eu que Sid tinha em mente.

Entretanto, quando ele me ligou, eu recusei.

No dia em que eu tinha deixado a Alemanha eu jurei que nunca mais voltaria para aquela maldita terra. E lá estava ele pedindo-me para voltar para a Alemanha. Como é que ele ousava fazer isso? Por seis meses lutei comigo mesma quanto a ir ou não ir. Disse ao Senhor que me matasse que me levasse consigo, mas que não me enviasse de volta para lá, porque sempre que eu começava a orar, logo me vinha a palavra: “Sim, você tem que voltar para lá e você têm que perdoar”.

Por fim me rendi. Fui com meu marido e com mais quatro outros crentes. Muitos outros vieram depois. Foi, como eu disse, uma luta que durou seis meses. Houve pessoas que oraram e que jejuaram por mim.

Foi um grande evento. [...]

Quando eu estava entrando naquele anfiteatro, onde Hitler dissera que os nazistas governariam o mundo por mil anos, eu estava no meio de uma multidão, abarrotada de jovens alemães. Muitos tinham estrelas de Davi, estrelas judaicas, em volta do pescoço. Bandeiras de Israel estavam tremulando.

Quando vi os líderes americanos, alguns dos quais eu conhecia, e vendo os alemães portando estrelas de Davi e mezuzot (pergaminho enrolado com inscrições de Deuteronômio), disse comigo mesma: “Isso é impossível”. Então pensei: “O que é que estou fazendo aqui? Senhor, o que o Senhor quer de mim? Faze-me sair daqui. Não quero falar alemão. Será que estou certa no que vou fazer, ou será que estarei dizendo aos alemães e ao mundo que matar judeus é algo que está certo?” Tais pensamentos atormentavam-me, até o momento em que falei.

Confrontada por Nazistas

No domingo, eles me chamaram para falar. Não me lembro de ter dito as coisas que haviam sido impressas. Não me lembro de ter falado de perdão. Mas depois de ter terminado a minha palavra, algumas pessoas vieram até mim; elas eram as últimas pessoas na face da terra com quem queria me encontrar. Eram ex-nazistas. Talvez eu tivesse pedido que quaisquer ex-nazistas viessem para uma oração e para serem perdoados. Não me lembro de ter dito isso, mas ali estavam eles, pedindo-me que lhes perdoasse. Será que eu podia perdoá-los face a face, da mesma maneira que tinha feito da tribuna?

Foi então que percebi que eu havia falado de perdão. Um dos que tinham vindo à frente fora um guarda em Dachau. Ele tinha tido o encargo de fazer as punições. Quando ele veio e identificou-se, o meu corpo se enrugou todo com dores, enquanto ele se ajoelhava. Ele estava suplicando para que eu o perdoasse.

Eu sou crente, mas ninguém pode compreender o que eu passei em Dachau e em Bergen-Belsen. Não se pode imaginar o inferno em que vivi. Foi apenas pela graça de Deus que pude perdoar aqueles que vieram à frente, porque Rose Price não tinha como perdoá-los pelas atrocidades por que havia passado quando criança.

Quando estava para deixar Berlim, um dos ex-nazistas, a quem eu tinha liberado perdão e por quem tinha orado, veio até mim. Ele me disse que depois de eu ter orado com ele foi que ele teve a sua primeira noite de sono desde o tempo da guerra.

Mostre-me Essa Força!

Numa outra data fui de novo para a Alemanha e percebi que não me achava muito distante de Bergen-Belsen. Eu sabia que tinha que voltar para lá. De uma vez para sempre eu teria que enterrar Bergen-Belsen. Um casal de suecos estava comigo, Susan e Gary, e também um alemão chamado Otto – todos crentes.

Tive que pedir um guia para levar-me aonde se localizava a porta principal. Não a reconheci, porque o quartel havia sido totalmente queimado. Mas sabia que se me pusessem no lugar em que então ficava a porta principal, facilmente eu encontraria o local do quartel. Impressionou-me o fato de que até hoje não cresce grama no lugar onde os cabos elétricos se localizavam. Não adiantava plantar e replantar a grama, ela simplesmente não crescia ali.

O guia deu-me uma lista dos nomes dos que haviam estado em Bergen-Belsen, e encontrei o meu nome e o de minha irmã naquela lista. Nós estávamos no último grupo que foi transportado de Bergen-Belsen a Dachau. Depois, todos os que tinham permanecido morreram de tifo.

Clamei e chorei. Num certo momento eu estava gritando para Bergen-Belsen:

– Você morreu, mas eu sobrevivi! Estou aqui! Sobrevivi!

Enquanto gritava, comecei a orar pela salvação do país e pedindo para que o povo alemão compreendesse o amor e o perdão do Messias.

Num ponto eu perguntei: “Senhor, como posso fazer essa oração neste cemitério em que tanta coisa aconteceu comigo, muitas das quais são indescritíveis?”.

Enquanto eu orava, o alemão tornou-se histérico. Fui até ele querendo abraçá-lo, e ele me disse:

Como é que você pode orar por nós, uma vez que lhe fizemos tudo o que fizemos? A minha família estava envolvida nisso. Nós pusemos você aqui. Como é que você pode orar? Mostre-me essa força. Mostre-me essa sua força.

Então ele pediu perdão e nós quatro nada mais fizemos a não ser continuar chorando e orando uns pelos outros e pelo povo alemão.

Você Tem que Perdoar

Se você acha que não pode perdoar uma pessoa, o seu ódio para quem quer que seja não pode ser maior do que o ódio que eu tive para com os alemães. Eu perdi o meu estômago. Eu tive que fazer 27 operações antes de ir a Berlim.

O ódio tem um endereço no teu corpo. O amor não pode habitar num corpo em que há ódio. Quando renunciei a todo ódio e o amor começou a surgir, algo aconteceu dentro do meu corpo. Nunca mais tive dores. Nunca mais tive que passar por uma operação desde 1981, porque o Senhor tirou todo aquele veneno de mim.

Ninguém sabe como foi a dor por que você passou e ninguém sabe como foi a dor pela qual eu passei. Mas não há desculpa para o ódio. Você tem que perdoar. Você tem que renunciar o ódio.

Até mesmo não compete a você ter a capacitação para perdoar. Você não pode fazer nada com a sua própria força. Você tem que ir até ao Senhor e ele lhe dará essa capacitação.

Editado e compartilhado

por Roberto Kedoshim